Polícia desarticula quadrilha de traficantes que agia em Cascavel

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Seis pessoas foram presas em Cascavel, cinco delas integrantes de uma quadrilha envolvida no tráfico de drogas, homicídios e outros crimes, durante a Operação Regressus, deflagrada nesta sexta-feira (2) pela Polícia Civil. Outros três suspeitos são considerados foragidos. Os 132 policiais que participaram da ação também cumpriram 32 mandados de busca e apreensão – encontraram drogas, armas brancas, R$ 6 mil em dinheiro e bens adquiridos com o dinheiro do tráfico de drogas. Um sexto homem foi preso em flagrante por tráfico, portando crack e R$ 1.865,00.
“Essa ação desarticula toda quadrilha e isso vem de encontro a todo um trabalho do Governo do Estado de enfrentamento rigoroso aos crimes contra a vida. Em 2012 instalamos aqui em Cascavel a Delegacia de Homicídios , que depois expandimos também para Londrina e Maringá, que comprovadamente está dando resultado”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Julio Reis.
A ação – que contou com o apoio de policiais das delegacias de Cascavel, Laranjeiras do Sul, Foz do Iguaçu e Toledo, da Divisão de Narcóticos (Denarc) de Cascavel, do 5º Comando Regional e do 6º Batalhão da Polícia Militar – foi realizada no Bairro Julieta Bueno. A região é uma das mais populosas de Cascavel, concentra o maior índice de homicídios e vivia sob a lei do silêncio imposta pelos criminosos investigados.
Com as ruas do bairro batizadas por nomes como Amor, Fraternidade e Ternura, o local se tornou um condomínio do tráfico e da violência. A organização criminosa incluía parentes, vizinhos e usava filhas adolescentes de alguns dos integrantes para o transporte e a venda das drogas dentro de bonecas.
Três integrantes do grupo criminoso fugiram antes da chegada dos policiais e são considerados foragidos da Justiça. As Polícias Civil e Militar estão nas ruas em busca do trio. Na casa de um deles foram encontradas uma estrutura de segurança com monitoramento infravermelho e vários objetos de valor.
Todos os alvos já tinham passagem policial e, de acordo com as investigações, agora serão indicados por homicídio qualificado, tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual.
Para o delegado-titular da 15ª Subdivisão Policial, Adriano Chohfi, a desarticulação da quadrilha é resultado de um planejamento de segurança desenvolvido para Cascavel. “Foram mais de três meses no sentido de identificar esses autores de vários crimes de homicídios e tráfico e o resultado foi essa operação. O mais importante é saber que a cidade e aquele bairro se transformam em cada vez mais seguros”, disse.
O capitão Cícero Tenório, do 6º Batalhão da Polícia Militar, ressaltou a forte integração das forças de segurança do município. “Nós recebemos informações constantemente e essas informações são filtradas e repassadas aos órgãos competentes. E as informações estão chegando justamente por essa credibilidade que as policias civil e militar têm ali e pelos resultados que a população está observando que aconteceram no local desde 2012, com a implantação do programa Paraná Seguro”, concluiu.

INVESTIGAÇÃO – As investigações começaram após o homicídio de um casal – Mayke Rodrigues Valença e Luana Ferreira Guimarães – ocorrido no bairro em 5 de janeiro deste ano. Ambos eram usuários de drogas e foram mortos por conflitos envolvendo o tráfico. A polícia apurou que a decisão de executar as vítimas foi tomada em uma espécie de ‘assembleia’ entre os traficantes.
Em abril, um adolescente e um homem foram presos e confessaram o crime, desde a execução até a desova dos corpos em uma área rural. As diligências levaram à descoberta de qual veículo foi usado, na participação de outros envolvidos e ajudou a desvendar a estrutura dessa organização criminosa.
A liderança da quadrilha e seus integrantes são residentes no bairro, criado para abrigar famílias oriundas de uma antiga invasão na cidade. Além de traficar drogas no local, os envolvidos são suspeitos da distribuição de entorpecentes em grande quantidade em outras regiões da cidade.
A delegada-titular da Delegacia de Homicídios (DH), Mariana Antonieta Manso Vieira, informou que os criminosos usavam a casa de outros moradores para guardar drogas e, em alguns casos, os expulsavam do local.
“A atividade final deles era o tráfico de drogas e no exercício dessa atividade, para que se mantivessem no poder, eles acabavam cometendo outros crimes, impondo o temor e o medo na população, sempre dominando as pessoas através da prática dessas ações violentas”, informou.
Um dos Integrantes dessa quadrilha é suspeito ainda da morte de Julio Chagas Pinto, de 22 anos, em 23 de dezembro de 2016. Dois outros homicídios ainda estão sendo apurados para identificar se houve participação dos membros deste grupo criminoso.
A Operação foi batizada de Regressus, com a ideia de retomada da tranquilidade no bairro e reforçar o policiamento.

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